“A verdade do lado de fora da janela é cruel, só existe solidão a lamentar, então inventei um mundo, que minha mente conseguiu habitar. Minha vida era um livro sem palavras, era escrito com letras imaginadas, era a imagem sem cor nos jornais, eram fatos totalmente artificiais. Sentia saudades das coisas que nunca fiz, sentia falta de sabores que nunca provei, de pessoas que nem conheci e lugares que nem visitei. Sentia saudades de olhares que não me viram, de vozes que não falaram comigo, de um abraço que nunca me abraçou, de alguém que nunca me amou. Fez falta as amizades que não tive, dos momentos que não vivi, de superar tombos que nunca levantei, da alegria que jamais provei. Sentia falta e não minto, é uma ilusão que não consigo destruir, mas na verdade nem era saudade que eu sentia, era vontade existir sem você.
“Fica mais, fica mais um pouco, porque muito de você pra mim ainda é pouco.
“Se não brilha mais, não insista. Lâmpada queimada não se arruma. Se troca por outra.
“Sei que a tua boca já beijou a outra que não a minha. Sei que já amou a outros quando não me conhecia. Mesmo assim, teu carinho me tomou o peito, e hoje sem você não mais consigo ser do mesmo jeito.